domingo, 27 de novembro de 2016

Poema 2016 / 8
02 / 9 / 16

PRIMAVERA

Em algum lugar haverá outra paz,
assim como um caminho de rosas;

onde o vento será amigo do poeta
a as águas apagarão as chamas da
 dúvida.

Para cada noite haverá um dia de
 virtude.
Para cada sorriso haverá uma escrita
 perene
e para cada canção, um acalanto para
a mulher amada.

O poeta ali caminha sua jornada como
um anjo anunciando flores e beijos.

Ali, o pássaro pousará sobre a figura
assentada;
e as amoras serão alimento dos anjos.

Em algum lugar haverá outra margem

onde o caminho nos conduz aos ecos da memória.

domingo, 18 de setembro de 2016

                                                 Diante do espelho - Colagem - ano 2000

Poema 2016 / 10
18 / 9 / 16

DIANTE DO ESPELHO

Como entender o horizonte,
se meus passos cobrem
apenas centímetros
de sua longa distância?

Como cativar o som da vertente?
Perguntava eu ao espelho.

Como manter os desejos da
juventude diante do peso das
velhas canções?
Indagava eu ao espelho.

Como reviver o sabor das frutas
experimentadas na meninice?
Indagava eu diante do espelho.

A mim veio a resposta,
Tão simples e tão pura:
“- Viva teu dia como
homem honrado
e ame cada beleza
a ti apresentada.
Este é o teu lugar.
Aqui e agora.
Estes são os teus dias,
são os teus tesouros
de hoje; tão valiosos

como os dias de ontem.”

domingo, 28 de agosto de 2016



POEMAS DE 2016.
Poema 2016 / 1
O POEMA QUANDO CHEGA
O poema quando chega
Chega sem aviso.
Como um pássaro
que entra pela janela
e faz a festa
na sala
no corredor
no quarto
sobre os lençóis
sobre os livros
sobre as roupas
sobre nossas cabeças.

Entra em nossos
pensamentos,
nas nossas falas

e em nossos segredos.
Poema 2016 / 5

QUISERA

Quisera alongar o barulho de
tua chegada;
recuperar os sons de tua visita;
recompor o toque do encontro;
relembrar o cheiro do abraço;
reviver o instante da surpresa;
despertar, ainda, as imagens
que ficaram presas
em nossos primeiros silêncios.

No momento, posso apenas
sustentar a esperança de nossa 
eternidade.

domingo, 31 de julho de 2016


O poeta está sempre renascendo.



Quadro Boas Vindas. jan. 2015

Poema: O poeta está sempre renascendo.
22 jan. 2015.

O poeta está sempre renascendo.
Há nele um fermento novo, 
um adubo,uma terra fértil, 
uma intenção,uma palavra no cio.

O poeta está no seio das coisas
imaginadas por aves em pleno voo.
O poeta está ainda nos frutos da infância, 
nos acenos dos antigos.

Ainda nas cortinas da invenção,
de janelas abertas.Um manancial
de sílabas retidas até o momento
da floração!

Uma água que corre nos adjetivos das canções.
Tece nos barulhos do verso as amarras e 
o som de uma nova estação sob as bênçãos do arco-íris.

O poeta, no que fica e no que vai, 
na batida das horas, nas lembranças do amor e 
no silêncio do descaso, nisto e em tudo,

constrói os alicerces do poema,
o poema que completa o dia. 
Eu falo do poema, daquele que 
enche tua alma de coisas já esquecidas.

sexta-feira, 15 de abril de 2016



Pertences
13 Jan. 2015 – Ubatuba

Que parte da palavra me pertence?
A que parte do poema pertenço?

Em que endereço estão meus versos?

São tantas as vertentes.
São tantos as esquinas. São tantos os esquecimentos!

São tantos os dias vazios – o poema não nos visita.

São tantas as coisas que de fato não nos pertencem.

Porém, são tantas as coisas que sempre nos pertenceram.

Eu.

Eu, de fato, pertenço ao tempo único de nossa canção.

domingo, 27 de dezembro de 2015

POEMA PARA MARIANA


01 / a 26 / 12 / 2015
POEMA PARA MARIANA
I - Agosto.
Descansas sob o céu de Minas.
Um silêncio nos vales.
Risos de crianças.
II - Setembro.
És Mariana.
Estas sob as maravilhas da primavera.
Descansas sob as árvores.
Amantes andam em suas pedras.
Tranquila.
Estás sob as montanhas.
III - Outubro

Modesta.
Estás sob as bênçãos dos santos.
Bela.
Repousa sob o voo dos pássaros.
Alegre.
Estás sob os céus da Pátria.
Poética.
Estás sob as graças dos poetas.
IV - Novembro
Não há descanso sob as árvores.
Não há árvores!
Mariana.
Estás sob a lama.
Intranquila.
Onde estão teus filhos?
Onde estão as bênçãos dos santos?
Onde estão os pássaros?
Onde ficam as sombras das montanhas?
Onde estão tuas árvores?
Não há nenhuma canção em teus vales.
Já não há poesia e não há graça!
José Benedito Maciel.

domingo, 13 de dezembro de 2015


POÉTICA
 
                                                      Colagem em, papel A4. Ano 2000

                                                                                               POÉTICA

Vento na janela,
silêncio na tarde,
e mimos no jardim.

Avencas no muro,
espaço com flores,
e teu sorriso para mim.

Notícia de amor,
retrato na parede
e cheiro de jasmim.

Brilho na alma,
palavras de poeta
e folhas de alecrim.

Alguém na porta,
brilho nos olhos
e notícias para mim.

Folhas de agosto,
chuvas de setembro
e um outubro sem fim.

Olhos de menino,
coração de poeta
Novembro é mesmo assim.



José Benedito Maciel – 23 nov. 2002