domingo, 28 de agosto de 2016



POEMAS DE 2016.
Poema 2016 / 1
O POEMA QUANDO CHEGA
O poema quando chega
Chega sem aviso.
Como um pássaro
que entra pela janela
e faz a festa
na sala
no corredor
no quarto
sobre os lençóis
sobre os livros
sobre as roupas
sobre nossas cabeças.

Entra em nossos
pensamentos,
nas nossas falas

e em nossos segredos.
Poema 2016 / 5

QUISERA

Quisera alongar o barulho de
tua chegada;
recuperar os sons de tua visita;
recompor o toque do encontro;
relembrar o cheiro do abraço;
reviver o instante da surpresa;
despertar, ainda, as imagens
que ficaram presas
em nossos primeiros silêncios.

No momento, posso apenas
sustentar a esperança de nossa 
eternidade.

domingo, 31 de julho de 2016


O poeta está sempre renascendo.



Quadro Boas Vindas. jan. 2015

Poema: O poeta está sempre renascendo.
22 jan. 2015.

O poeta está sempre renascendo.
Há nele um fermento novo, 
um adubo,uma terra fértil, 
uma intenção,uma palavra no cio.

O poeta está no seio das coisas
imaginadas por aves em pleno voo.
O poeta está ainda nos frutos da infância, 
nos acenos dos antigos.

Ainda nas cortinas da invenção,
de janelas abertas.Um manancial
de sílabas retidas até o momento
da floração!

Uma água que corre nos adjetivos das canções.
Tece nos barulhos do verso as amarras e 
o som de uma nova estação sob as bênçãos do arco-íris.

O poeta, no que fica e no que vai, 
na batida das horas, nas lembranças do amor e 
no silêncio do descaso, nisto e em tudo,

constrói os alicerces do poema,
o poema que completa o dia. 
Eu falo do poema, daquele que 
enche tua alma de coisas já esquecidas.

sexta-feira, 15 de abril de 2016



Pertences
13 Jan. 2015 – Ubatuba

Que parte da palavra me pertence?
A que parte do poema pertenço?

Em que endereço estão meus versos?

São tantas as vertentes.
São tantos as esquinas. São tantos os esquecimentos!

São tantos os dias vazios – o poema não nos visita.

São tantas as coisas que de fato não nos pertencem.

Porém, são tantas as coisas que sempre nos pertenceram.

Eu.

Eu, de fato, pertenço ao tempo único de nossa canção.

domingo, 27 de dezembro de 2015

POEMA PARA MARIANA


01 / a 26 / 12 / 2015
POEMA PARA MARIANA
I - Agosto.
Descansas sob o céu de Minas.
Um silêncio nos vales.
Risos de crianças.
II - Setembro.
És Mariana.
Estas sob as maravilhas da primavera.
Descansas sob as árvores.
Amantes andam em suas pedras.
Tranquila.
Estás sob as montanhas.
III - Outubro

Modesta.
Estás sob as bênçãos dos santos.
Bela.
Repousa sob o voo dos pássaros.
Alegre.
Estás sob os céus da Pátria.
Poética.
Estás sob as graças dos poetas.
IV - Novembro
Não há descanso sob as árvores.
Não há árvores!
Mariana.
Estás sob a lama.
Intranquila.
Onde estão teus filhos?
Onde estão as bênçãos dos santos?
Onde estão os pássaros?
Onde ficam as sombras das montanhas?
Onde estão tuas árvores?
Não há nenhuma canção em teus vales.
Já não há poesia e não há graça!
José Benedito Maciel.

domingo, 13 de dezembro de 2015


POÉTICA
 
                                                      Colagem em, papel A4. Ano 2000

                                                                                               POÉTICA

Vento na janela,
silêncio na tarde,
e mimos no jardim.

Avencas no muro,
espaço com flores,
e teu sorriso para mim.

Notícia de amor,
retrato na parede
e cheiro de jasmim.

Brilho na alma,
palavras de poeta
e folhas de alecrim.

Alguém na porta,
brilho nos olhos
e notícias para mim.

Folhas de agosto,
chuvas de setembro
e um outubro sem fim.

Olhos de menino,
coração de poeta
Novembro é mesmo assim.



José Benedito Maciel – 23 nov. 2002

sábado, 5 de dezembro de 2015


 Composição com círculos II - Papel A4 - colagem e desenho

POETA

21 / 5 / 93

O poeta se alimenta de brisas.
Raios de sol são seus vestidos.
De verde e de azul são suas mãos.

Seus passos conduzem sonhos,
seus olhos são pássaros livres,
borboletas pousam em suas orelhas;
No seu nariz, nasce um ramo de jasmim.

De sua testa floresce uma rosa,
De seu corpo emana mel e horizontes.
De seu peito vertem rios de águas tranquilas.


Mas seu coração,
Seu coração é uma eterna dor.

domingo, 22 de novembro de 2015



MENINO -                    Desenho de 1976 - caneta sobre papel A4.

MENINO

Ainda não descobri o segredo das estrelas
e não consigo ver o resultado das coisas simples,
nem o significado de toda beleza.

Estou vivo.

Sou aprendiz de cada manhã. 
Busco a decifração por palavras e esperança
e minhas descobertas completam o meu dia.

Sonho toda noite.
Ainda estou vivo.

Busco a equação do amor e meu Deus é cheio de bondade. 
Capturo outros segredos na palma do vento
 e minha explicação é que faço de cada poema minha pátria.  

Continuo vivo

ainda como um menino.   19 / 11 / 2015