domingo, 16 de abril de 2017



Poema 2017 / 2
11 ABRIL 17

SHANGRI-LÁ

Shangri-lá é um lugar muito distante.

Meu lugar seguro é aqui e ali,
onde existe uma promessa
uma palavra – um verso no
gesto temporário.

O poema é um endereço.
neste endereço cabem,
entre outras coisas, sílabas
pronunciadas na infância.

Shangri-lá não é um destino.
É um rio de poucas águas

Resido aqui e ali,
             num gesto temporário.
Neste gesto ainda busco
The other side of the heaven.


NESTE DIA ÚNICO

Neste dia único de minha vida,
eu quero um abraço, um afago,
um aperto de mão amigo,
um sorriso meigo
como o que só o cotação
possa entender.

Neste dia único de meus dias,
eu quero o despertar de palavras
antigas no poema,
o despertar de coisas sonhadas
 desde menino
e que ainda me fazem feliz.

Neste dia único de minha existência,
eu quero desfrutar da festa,
apreciar cada sorriso que recebo
como um sinal de paz. Paz!

23 JAN. 2017
Poema 2017 / 1

























sábado, 21 de janeiro de 2017





Poema 2016 / 13
06 / 12 / 16

Se em novembro despeço-me de Leonard,
em dezembro perco os passos de Gullar.

Os dias são de espelhos,
ora refletem a luz da manhã,
ora as sombras porque passo.

São os dias do muito lembrar.
São as horas do pouco sentir.

Aos poucos os heróis se vão,
como todo homem um dia alcança.

São os dias do muito lembrar.
São as horas e os minutos em que
deixo de ser criança.


Leonard Cohen – faleceu em 7 de novembro.
Ferreira Gullar – faleceu em 4 de dezembro de 2016.


Poema 2016 / 11
20 / 9 / 16

EM ALGUM LUGAR
Em algum lugar,
um moço toma a amada
pela mão pela primeira vez.

Em algum lugar,
um ancião segura a mão
da amada pela última vez
e ouve uma canção.

Em algum lugar,
alguém  escreve um poema
para a amada e rasga
por temer o silêncio como
                              resposta.

Em algum lugar,
alguém ouve uma melodia,
pensa ser jovem de novo
e dança solitário na casa.

Em algum lugar,
alguém lê um poema e
não encontra nele o grito
 da alegria porque está triste.

Em algum lugar,
um  pássaro pousa
nas mãos de uma criança 
e pensamos ser um anjo
anunciando as boas novas.

Porque o poema não é o
vento nas folhagens,
não é a luz nos montes,
não é a miragem na paisagem nua,
não é a sombra do dia de calor,
não é a noite sonhada no meio dia
e nem o dia sonhado à meia noite.
O poema, meu amigo, é nutrido

pelas sementes da alma.

domingo, 27 de novembro de 2016

Poema 2016 / 8
02 / 9 / 16

PRIMAVERA

Em algum lugar haverá outra paz,
assim como um caminho de rosas;

onde o vento será amigo do poeta
a as águas apagarão as chamas da
 dúvida.

Para cada noite haverá um dia de
 virtude.
Para cada sorriso haverá uma escrita
 perene
e para cada canção, um acalanto para
a mulher amada.

O poeta ali caminha sua jornada como
um anjo anunciando flores e beijos.

Ali, o pássaro pousará sobre a figura
assentada;
e as amoras serão alimento dos anjos.

Em algum lugar haverá outra margem

onde o caminho nos conduz aos ecos da memória.

domingo, 18 de setembro de 2016

                                                 Diante do espelho - Colagem - ano 2000

Poema 2016 / 10
18 / 9 / 16

DIANTE DO ESPELHO

Como entender o horizonte,
se meus passos cobrem
apenas centímetros
de sua longa distância?

Como cativar o som da vertente?
Perguntava eu ao espelho.

Como manter os desejos da
juventude diante do peso das
velhas canções?
Indagava eu ao espelho.

Como reviver o sabor das frutas
experimentadas na meninice?
Indagava eu diante do espelho.

A mim veio a resposta,
Tão simples e tão pura:
“- Viva teu dia como
homem honrado
e ame cada beleza
a ti apresentada.
Este é o teu lugar.
Aqui e agora.
Estes são os teus dias,
são os teus tesouros
de hoje; tão valiosos

como os dias de ontem.”

domingo, 28 de agosto de 2016



POEMAS DE 2016.
Poema 2016 / 1
O POEMA QUANDO CHEGA
O poema quando chega
Chega sem aviso.
Como um pássaro
que entra pela janela
e faz a festa
na sala
no corredor
no quarto
sobre os lençóis
sobre os livros
sobre as roupas
sobre nossas cabeças.

Entra em nossos
pensamentos,
nas nossas falas

e em nossos segredos.
Poema 2016 / 5

QUISERA

Quisera alongar o barulho de
tua chegada;
recuperar os sons de tua visita;
recompor o toque do encontro;
relembrar o cheiro do abraço;
reviver o instante da surpresa;
despertar, ainda, as imagens
que ficaram presas
em nossos primeiros silêncios.

No momento, posso apenas
sustentar a esperança de nossa 
eternidade.