domingo, 9 de agosto de 2015

Pai e filho - Desenho sobre papel. Tamanho A4. Ano 2000.

MEMÓRIA

29 dez. 2007

Parecia tão fácil ser feliz.

Meu pai me dizia:
- Olha as estrelas como são lindas,
- Venha ver os ovos de passarinhos,
- Vamos caçar algumas aves, eu e você,
- Amanhã colheremos girassol e algodão.

Minha mãe continuava o paraíso:
- Eu gosto mesmo é de chá de hortelã,
-  Vamos fazer bolo de fubá com camomila,
- Vamos assar pão no forno de barro,
- No domingo, vamos na casa da vó.

Tudo era tão simples.

Tudo tinha um endereço:
A alegria de ser feliz.

Uma vez, comemos mamão maduro,
Eu e meu irmão, trepados no mamoeiro.

Morávamos na roça.
Um dia, meu pai disse: -Vamos para a cidade.
- As crianças precisam estudar.

Foi assim que comecei as minhas lições de poeta, aos doze anos.

domingo, 26 de julho de 2015


PERMEIO

Entre a fábula e a verdade,
pernoitar entre colunas.

Entre tombos e açoites,
ouvir quem  me chama.

Entre o silêncio e o fôlego,
sorver a aragem do fogo.

Entre o coração e a esperança,
tatear um mar de sementes.

Entre caminhos e descaminhos,
herdar a força para vencer.

Entre a palavra e o silêncio,
dispor desta metáfora de pátria
denominada tangência da alma.


26 / 7 / 1994


LEITURA
                                       Desenho meu de 1978 - sobre papel - caneta esferográfica.

LEITURA

Teus olhos transitam pelos

vocábulos.

Diante de tua face, o poema
te faculta sonhar.

Sendas de tua fauna secreta
te saúdam

Há uma aragem soprando teu rosto
como a um cata-vento.

Teus olhos, de repente, submergem
nos tatos das palavras.

No instante seguinte,
asas brotam de teus ombros

E renasces andorinha
sobrevoando sílabas de fogo.



16 / 8 / 1994

domingo, 5 de julho de 2015

Estado de graça

                                                      Colagem sobre papel - ano 2000

Estado de graça

23 / 6 / 2015.

Reconheço que
em estado de poesia,
uma parte de mim
alcança a outra margem de
nossa canção.

Neste estado,
os versos dançam
de um polo a outro,
alcançam as esquinas
do poema.

Neste estado,
a alma pertence
ao tempo e à graça de
uma viagem a dois.

Reconheço que
no apreço pela memória,
uma parte do dia é para ser feliz,
um poema na palma das horas esquecidas.

Neste estado,
existe um endereço retido
na lembrança, nos adjetivos de
nossa canção.

Neste endereço,
uma paisagem surge, pintada

com o melhor de nossas alegrias.

domingo, 28 de junho de 2015

Preciso escrever minha melhor canção.
                                            Vendo o mar - guache sobre papelão. ano 1971

Poema 2015 / 17

Preciso

22 / 6 / 2015.

Preciso escrever minha melhor canção.
Preciso ler meu melhor poema.
Rever nossas melhores fotos.
Preciso reinventar os dias de nossas alegrias.
Caminhar como quem busca o paraíso.
Preciso beijar teu rosto todos os dias 
para não esquecer nossas melhores estações
Preciso dizer que amo e preciso amar de verdade.
Preciso doar tudo para receber tudo, 
antes que venha o dia do silêncio final 
quando tudo já terá sido doado e nada terá sido em vão

domingo, 21 de junho de 2015

Poema 2015 / 13

11 / 6 / 2015.

Tecemos

Tecemos as amarras do muito esperar.
Tecemos o som e o calor da fé.

Recriamos as veredas da infância.

Quando estamos fora de nosso paraíso,
lançamos os braços em busca
dos frutos que já não existem.

Tecemos nossa âncora com fios de esperança.

Andamos de mãos dadas e recriamos nossos segredos mais doces.

Tecemos a memória do amanhã quando nos encontramos e nos beijamos.

Reaprendemos a poesia das coisas simples de cada dia.