sábado, 23 de novembro de 2024

 Ser poeta em suas danças no silêncio


 

Ser poeta em suas danças no silêncio

Poema escrito em 10 / 06 / 1977.

Reescrito em 5 de novembro de 2024.

" No diário que não foi escrito,

Na palavra que não foi dita,

No adeus que não foi visto,

No livro que não foi lido,

Na carta que não foi aberta,

No quadro que não foi acabado,

Na música que não foi ouvida;

Ser

Na rima que não foi encontrada,

No solidão que não foi interrompida,

Na espera do retorno que não ocorreu,

Nas folhas onde não houve nenhum verso,

Nos ciúmes e queixumes do desencontro,

No sigilo quebrado num momento de susto;

Ser

Poeta em suas danças no silêncio."

 

Às margens do rio


 


Às margens do rio

João Cabral de Melo Neto

foi à Sevilha, onde bebeu das águas

de Guadalquivir; e escreveu

poemas e cartas.

Paulo Mendes Campos foi a

Paris, onde sempre há pessoas

que se beijam às margens do Sena;

e se inspirou e amou.

Vinícius de Moraes foi a

Nova York, onde se maravilhou

com as águas do Hudson River,

e se poetizou.

Murilo Mendes viveu em Roma,

onde sempre há pessoas que

se amam às margens do Tibre,

e foi poeta.

Fernando Sabino morou em Londres, 

onde conheceu Joan Miró quase 

às margens do Tâmisa.

Adélia Prado bebe das águas de

Minas, onde declama um poema

de amor a Jonathan às margens

do Itapecerica.

Em Guaratinguetá, algum dia,

alguém lerá um poema meu

 às margens do Paraíba e dirá:

- Também foi poeta nestas margens.

18 de novembro de 2024 

 

 

domingo, 3 de novembro de 2024

 Entrar no poema

 



Entrar no poema

 24 de outubro de 2024

Entrar no poema

sem pedir licença.

Ativar as antenas

da invenção,

as artérias

da criação,

sem limites

de tempo e

espaço.

 

Há de se esperar

que a palavra

nos salve,

que um verso

seja uma cura.

 

Mesmo que não

contenha

a palavra amor,

ainda será

um verso

de amor.

 

Mesmo que não

contenha

imagens de

aves em voo,

ainda assim, o

poema será

uma viagem,

uma salvação.

 

 

sábado, 26 de outubro de 2024

 Terei comigo


 

Terei comigo

 22 de outubro de 2024

Terei comigo as letras de uma

canção ou de um poema, uma

seiva mantida na raiz da pele,

um assombro a iluminar o dia,

um verso amigo, um ditado na

rasura do silêncio.

 

Terei comigo as linhas da

esperança, uma cancela

aberta aos pássaros e aves

que chegam de surpresa,

um verbo

na rasura do silêncio.

 

Terei comigo as promessas

de uma flor rara. Uma luz e

sombra na página escrita,

frases ditas por crianças.

Depois, um silêncio

na rasura da memória,

porque não sei dizer adeus.

domingo, 20 de outubro de 2024

 DIA DO POETA. 20 de outubro.


O poema sustenta o paraíso

07 / 6 / 2015.

O poema sustenta a esperança.
Nele o verso contém a forma de uma ave.
Alçamos voo!

Nele ( no poema ) somos pássaros.
Alcançamos o outro lado do paraíso.
The other side of the heaven.

Saciamos nossa sede na palavra amor.
Porque ela é viva. Possui quadratura e espaços infinitos.

Saciamos nossa fome no verso amigo. 
Porque ele possui os verbos da esperança.
Possui objetos que circulam entre nossos frutos desejados.

O poema sustenta nosso paraíso!

Our side of the heaven!