sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 As palavras e as coisas

 


As palavras e as coisas

05 / 01 / 2026 

A que pertence a palavra lembrança?

- À memória de um rio de águas

rasas, levando os nomes,

os lugares e os amores

antigos e esquecidos?

 

A que pertence a palavra vida?

-  À escrita de um diário

cujas páginas guardam

letras e signos,

segredos e desejos

antigos e esquecidos?

 

A que pertence a palavra poema?

- À permanência e à ausência,

entre verdades e mentiras,

entre versos e metáforas,

em um livro escrito nas

nuvens?

 

A que pertence a palavra morte?

- À certeza de um piscar de olhos.

Num instante o que era para ser

permanência do sonho, passa a ser

a vertente do sono, um sono sem

memória.

 

 

terça-feira, 4 de novembro de 2025

 Escrevo e por escrever

28 de outubro de 2025


 

 

Escrevo e por escrever,

recebo a companhia de

pássaros e silêncios por

entre as linhas do poema.

 

Quase ouço tua voz

entre uma sílaba e outra.

 

Escrevo e me refaço em

escrita e lembranças.

 

Escrevo para acolher da

memória o cheiro do

primeiro abraço e a luz,

o lume, do primeiro olhar.

 

Escrevo e por escrever,

refaço meu jardim, onde

uma flor suavemente

sussurra o teu nome.

 

 

 tempo, vida e escrita

28 de outubro de 2025


 

 

a palavra tempo possui,

entre a letra t e a letra o,

o espaço de um fôlego,

um desejo pela perenidade.

 

a palavra vida possui,

entre a letra v e a letra a,

o espaço de um piscar os

olhos, um desejo pelo eterno.

 

a palavra escrita possui,

entre a letra e e a letra a,

o espaço de um sussurro,

um desejo pela eternidade.

 

a palavra poema possui,

entre a letra p e a letra a, o

tempo entre a linta e o lápis, o

sonho, o verso nítido e preciso.

 

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

 

9 de setembro de 2025


Fahena

Poema 83 / 2025


 

São tantos os desejos.

São tantos os sonhos

a serem construídos.

 

São tantos as tarefas

e muitos silêncios.

 

Tantas palavras guardadas;

silenciadas na faina do dia a dia.

 

O poema pulsa nas veias.

O dia é de edificar outras

formas de poesia.

 

Nascem outros alfabetos e

o trabalho na mão do poeta

nunca será em vão.

 


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

 

Setembro

02 de setembro de 2025 

 

As amoreiras estão floridas.

As pitangueiras estão florindo.

 

Os pardais estão ausentes.

As abelhas estão escassas.

 

Um vento suave entre as

folhas faz a dança das horas.

 

Uma palavra branda entre os

versos faz o tempo do poema.

 

Uma palavra doce vinda de ti

faz o dia florir meiguices.

 

As amoreiras dão sinais da

primavera que se avizinha.

 

Outras aves fazem a festa

afirmando que tudo está bem.

 

Preciso de mais flores no

poema para atrair abelhas e

 

a festa dos pardais entre os

versos.