Ave pousada
22 / 01 / 26
Há um silêncio de
ave pousada no
poema,
uma figura imóvel ao
vento, um vento sem
presença.
Há um silêncio de
pedra inerte na
paisagem,
uma presença imóvel
como uma ave
pousada.
Um mergulho no
vazio da segunda
infância.
Vamos deixar florir
Vamos deixar florir
21 / 01 / 25
Vamos deixar florir, aflorar
o dia, florir as horas, florir
a noite; florescer as plantas
do jardim, florescer em nós
os diálogos, enflorar o que
tiver nos vasos e na mesa,
vicejar o pé de romã e o de
acerola; enfeitar o dia com
pétalas de rosas e jasmim.
Vamos deixar desabrochar
flores na janela, frutificar novas
palavras no poema, evoluir em
abraços e apertos de mão,
prosperar no amor e na
amizade; desenvolver verbos
suaves nos encontros;
enflorar onze-horas nos muros
e calçadas. Vamos deixar
florescer o que nos alegra e
elevar as vozes em cânticos,
nutrindo a luz e a gratidão.
Tempo de apreciação
Tempo de apreciação
11 / 01 / 25
Cultivo o tempo de apreciação.
No jardim, sombras para sabiás, canários e sanhaços.
Bem-te-vis cantam livres na copa das árvores.
Rolinhas e pardais felizes se alimentam no
comedouro de aves.
Existe um canto para flores, outro para
hortelã e ervas de gato.
Há um espaço para apreciar estrelas, outro
para que a lua banhe o corpo do cão.
Tudo tem um endereço certo. As janelas
estão abertas para a apreciação e a gratidão.
Ouvir
04 de janeiro de 2025
Ouvir tambor e flauta
no movimento
da rosa dos ventos.
Ouvir o som de clarinete
no movimento
dos ponteiros do relógio.
Ouvir as cordas do violino
no movimento das águas
do pensamento.
Ouvir as notas da canção
no movimento
da batida do coração.
Ouvir as vozes da memória
no movimento
dos sinos de outrora.
Ouvir as letras do poema
no movimento
da caneta sobre o papel.
Ouvir o som da infância
no movimento
dos pássaros no jardim.
O que nasce da caligrafia
22 DE AGOSTO DE 2026
O que nasce da caligrafia
são as linhas da invenção,
no curto espaço entre o lápis
e o papel, entre o gesto e a
história, entre o que se pensa
e o se torna mineral, entre o
esforço e a faina, no risco dos
sinais, na sombra do desenho
e do arabesco, entre o que se
deseja eternizar e o que se
consegue, às margens do
verso e as linhas do poema.