quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 Vamos deixar florir

 

Vamos deixar florir

21 / 01 / 25 

 Vamos deixar florir, aflorar

o dia, florir as horas, florir

a noite; florescer as plantas

do jardim, florescer em nós

os diálogos, enflorar o que

tiver nos vasos e na mesa,

vicejar o pé de romã e o de

acerola; enfeitar o dia com

pétalas de rosas e jasmim.

Vamos deixar desabrochar

flores na janela, frutificar novas 

palavras no poema, evoluir em

abraços e apertos de mão,

prosperar no amor e na

amizade; desenvolver verbos

suaves nos encontros;

enflorar onze-horas nos muros

e calçadas. Vamos deixar 

florescer o que nos alegra e

elevar as vozes em cânticos,

nutrindo a luz e a gratidão.

 

 Tempo de apreciação

 

Tempo de apreciação

11 / 01 / 25 

 

Cultivo o tempo de apreciação.

 

No jardim, sombras para sabiás, canários e sanhaços.

 

Bem-te-vis cantam livres na copa das árvores.

 

Rolinhas e pardais felizes se alimentam no 

comedouro de aves.

 

Existe um canto para flores, outro para 

hortelã e ervas de gato.

 

Há um espaço para apreciar estrelas, outro 

para que a lua banhe o corpo do cão.

 

Tudo tem um endereço certo. As janelas 

estão abertas para a apreciação e a gratidão.

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 Ouvir

Ouvir

04 de janeiro de 2025 

 

Ouvir tambor e flauta

no movimento

da rosa dos ventos.

 

Ouvir o som de clarinete

no movimento

dos ponteiros do relógio.

 

Ouvir as cordas do violino

no movimento das águas

do pensamento.

 

Ouvir as notas da canção

no movimento

da batida do coração.

 

Ouvir as vozes da memória

no movimento

dos sinos de outrora.

 

Ouvir as letras do poema

no movimento

da caneta sobre o papel.

 

Ouvir o som da infância

no movimento

dos pássaros no jardim.

 

domingo, 6 de setembro de 2026

Nascer estrrelas

  

Nascer estrelas 

22 de agosto de 2026 

 

O que espero contemplar

ou o que espero admirar

 

são as marcas, os sinais,

a luz, o lume e a sombra

 

do que não cabe na palma

da mão, no peso do corpo,

 

e na ausência da palavra:

 

algo como nascer estrelas

entre as margens do poema.

 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

 
O que nasce da caligrafia 

O que nasce da caligrafia

22 DE AGOSTO DE 2026 

O que nasce da caligrafia

são as linhas da invenção,

 

no curto espaço entre o lápis

e o papel, entre o gesto e a

 

história, entre o que se pensa

e o se torna mineral, entre o

 

esforço e a faina, no risco dos

sinais, na sombra do desenho

 

e do arabesco, entre o que se

deseja eternizar e o que se

 

consegue, às margens do

verso e as linhas do poema.