terça-feira, 3 de novembro de 2026

 Façanha

 Façanha

31de outubro de 2026 

 

A façanha do acreditar:

tudo tão nuvem entre

uma sílaba do poema

e uma nota da canção.

 

A façanha do escrever:

tudo tão penúria entre

um verso do poema e uma

nuvem sobre o coração.

 

A proeza do ato de amar:

tudo tão escasso entre o

toque na pele e uma nuvem

sobre o corpo e a alma.

 

A aventura do poeta:

tudo tão nuvem entre

as cicatrizes do homem

e as linhas do poema.

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 Tudo o que de nós nasce


  Tudo o que

2 de novembro de 2026 

 

Tudo o que de nós nasce

está presente no desejo.

Desejamos leite e eternidade.

 

Na inocência, cultivamos

sílabas e diálogos retidos, na

voz e no silêncio entre cinzas.

 

O sal que emana da pele

está no pacto de águas, fogo

e gelo, e nesta vertigem.

 

A flor da virtude e da crença

está no fato de existir luz

por entre as frestas do dia.

 

Nutrimos nossas raízes com

sangue, e  uma nuvem paira

sobre o corpo em chamas.

 

Tudo o que do poema nasce

está nos rebentos de nossa

pretensa eternidade.

 

domingo, 18 de outubro de 2026

 

Cada flor carrega em si um

favo de mel.


 Poema

06 de outubro de 2026 

 

Cada flor carrega em si um

favo de mel.

 

Cada olhar carrega em si uma

ternura contida.

 

Cada janela abre-se em paisagem.

 

Cada verso está imerso nas

veias do desejo.

 

Nossa condução é de buscar

amparo no suprimento de

vozes da memória.

 

O desapego não é real, ainda

mantemos a herdade, as veias 

e as réstias da esperança.

 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 

Ave pousada

22 / 01 / 26 

Há um silêncio de

ave pousada no

poema,

 

uma figura imóvel ao

vento, um vento sem

presença.

 

Há um silêncio de

pedra inerte na

paisagem,

 

uma presença imóvel

como uma ave

pousada.

 

Um mergulho no

vazio da segunda

infância.

 

 
 

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 Vamos deixar florir

 

Vamos deixar florir

21 / 01 / 25 

 Vamos deixar florir, aflorar

o dia, florir as horas, florir

a noite; florescer as plantas

do jardim, florescer em nós

os diálogos, enflorar o que

tiver nos vasos e na mesa,

vicejar o pé de romã e o de

acerola; enfeitar o dia com

pétalas de rosas e jasmim.

Vamos deixar desabrochar

flores na janela, frutificar novas 

palavras no poema, evoluir em

abraços e apertos de mão,

prosperar no amor e na

amizade; desenvolver verbos

suaves nos encontros;

enflorar onze-horas nos muros

e calçadas. Vamos deixar 

florescer o que nos alegra e

elevar as vozes em cânticos,

nutrindo a luz e a gratidão.

 

 Tempo de apreciação

 

Tempo de apreciação

11 / 01 / 25 

 

Cultivo o tempo de apreciação.

 

No jardim, sombras para sabiás, canários e sanhaços.

 

Bem-te-vis cantam livres na copa das árvores.

 

Rolinhas e pardais felizes se alimentam no 

comedouro de aves.

 

Existe um canto para flores, outro para 

hortelã e ervas de gato.

 

Há um espaço para apreciar estrelas, outro 

para que a lua banhe o corpo do cão.

 

Tudo tem um endereço certo. As janelas 

estão abertas para a apreciação e a gratidão.