Tudo o que de nós nasce
Tudo o que
2 de novembro de 2026
Tudo o que de nós nasce
está presente no desejo.
Desejamos leite e eternidade.
Na inocência, cultivamos
sílabas e diálogos retidos, na
voz e no silêncio entre cinzas.
O sal que emana da pele
está no pacto de águas, fogo
e gelo, e nesta vertigem.
A flor da virtude e da crença
está no fato de existir luz
por entre as frestas do dia.
Nutrimos nossas raízes com
sangue, e uma nuvem paira
sobre o corpo em chamas.
Tudo o que do poema nasce
está nos rebentos de nossa
pretensa eternidade.

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