domingo, 22 de setembro de 2024

 O mundo que aprendi

 



 

O mundo que aprendi

 5 de setembro de 2024

 

O mundo que aprendi na infância

Foi um mundo de aves, peixes,

Cobras, mata, sustos e inocência.

 

As marcas que adquiri na vida

Foram lições obtidas nos sustos,

Nos cortes e arranhões na pele,

Marcas nos ossos e na alma.

 

Os horizontes que alcancei

Foram chancelas das distâncias

Imaginadas desde menino.

 

Em tudo, fica a certeza, pelo

Que a vida nos reserva;

Pelos dias mais curtos,

Pelas noites mais longas,

Pelas palavras escassas,

Pelo silêncio que pesa,

Pelos hiatos nas palavras

Do diário e suas escritas,

Pela vaga, pela ausência,

Pela pessoa esquecida

Nos baús da memória.

 

sábado, 14 de setembro de 2024

 


 Viemos desde a manhã

 11 de setembro de 2024

 

Viemos desde a manhã

Aguardando pelas estações

Da esperança, como quem

Aguarda o sabor do vento.

 

Viemos pelas estações do dia.

Nele estamos incompletos,

Falta ar para as asas.

Sentimos a pele nua.

 

Viemos pelas estações da memória.

Nela ainda cultivamos

Sementes de fé e coragem.

Somos barcos e seus remos.

 

Viemos pelos dias da infância.

Partimos nesta viagem conduzidos

Pelas mãos de nossos pais.

Viemos por nosso baú de esperança.

 

Viemos pelo suprimento de vozes.

Palavras reservadas para este e

Outros poemas. Acenos e vozes

Nos labirintos do esquecimento.

 

 

domingo, 1 de setembro de 2024

Meu invento


Meu invento

 31 de agosto de 2024

 

 Nesta ciranda

Que circunscreve o verso,

Neste dia que não é

Um dia comum de agosto,

No desejo de nutrir

a esperança,

Na coragem de dizer sim

ao coração,

Tornar especial,

digno de uma escrita,

O sorriso, nesta fonte,

O toque, neste enlace,

O encontro, nestes passos,

O beijo, neste intento,

O poema, neste abraço.

 

Nesta ciranda, o poema

É o meu melhor invento.

 

sexta-feira, 23 de agosto de 2024


 

Ausência pressentida


 

Ausência pressentida

 9 de agosto de 2024

Há uma ausência pressentida

Na palavra superfície,

Na soleira da vida,

Nas marcas da sombra,

Na luz nas frestas da janela.

 

Há uma indagação

Na marcha das horas,

No ritmo dos ponteiros,

Na aragem ou vento,

No silêncio ou no suspiro.

 

Há um pensamento contido

No poema silenciado,

Na canção inaudível,

Na cor não distinta,

No olhar raso,

de cabeça baixa.

 

Há uma submissão

No que a vida nos impõe,

Seja no raiar do dia,

Ou na noite e seu mistério;

A submissão

Ao desejo contido,

À palavra silenciada,

Ao gesto ignorado;

Porque há uma ausência

pressentida na pele e no sangue,

Uma incompletude,

Uma busca pelas manhãs e rostos

Da esperança.