terça-feira, 12 de julho de 2022

 


 

“O espanto de viver

é ir vivendo.” Carlos Nejar


 

O espanto de escrever é descobrir a escrita. Escrevo porque vivo.

 

A alma do verso está na caligrafia e seu armazém de esperança.

Vivo porque escrevo

 

A alegria do poeta está na cifra oculta de sua canção. Canto porque existo.

 

O alcance do verbo perpetuar está no suprimento de vozes entre as palavras. Perpetuo tua voz.

 

A clareira aberta no poema está na linguagem das coisas ainda sonhadas. Sonho porque vivo.

 

Invento um encontro de coisas que nascem na palavra perpetuar

 

O espanto de viver é a esperança, o início de uma nova primavera.

 Poema 2022 / 25

11 de julho de 2022


quarta-feira, 22 de junho de 2022

 



Poema 2022 / 22

21 de junho de 2022

 

Nos vestígios da memória,

nos encontros do poema,

saudar

o desejo de prosseguir;

acenar

às vozes da mocidade;

fincar

os pés nesta curta estrada;

partir

a fruta ao meio e deliciá-la;

remoçar

ao ouvir  voz da amada;

recordar

o som do alarido de crianças;

pedir

remissão pelos dias de trovão

e dizer

palavras mansas neste diário

e em outras canções,

outra vez, outra vez;

outra vez e sempre.


sexta-feira, 3 de junho de 2022


 


Poema 2022 / 18

03 de junho de 2022

Tenho em mim

Tenho em mim todos os poemas que ainda não escrevi.

Tenho em mim que o melhor dia para o poema é quando

a palavra me sorri;

e que o melhor dia no jardim é o amanhã.

Tenho em mim todas as canções que me fizeram feliz.

Tenho em mim que o melhor dia para olhar estrelas é quando

o céu me sorri.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

 


Notícias de Ucrânia

06 de Março de 2022

Entre as últimas notícias de Ucrânia: bomba explode e mata mãe e duas crianças.

- Mãe, onde estamos?

- Como chegamos aqui tão rápido?

-Quando papai estará conosco?

São as perguntas dos anjos ao chegarem ao céu.

 

Aqui, o coração dilacerado,

a mente  confusa,

por não compreender a guerra.

Olhos em lágrimas,

mão frias, buscando outras mãos.

 

Lá, o corpo treme,

há fome na fuga,

há sede,

está frio,

não há espaço,

não há caminho,

senão o coração dilacerado.

- uma mãe e duas crianças chegam ao céu.

 

Ucrânia chora seus mortos!

quarta-feira, 2 de março de 2022

 



Poema 2022 / 15

25 de Fev. 2022

Imitando Mário Quintana.

Se o poeta falar de flor, e não houver flor na casa;

se falar em risos e alegrias, e não houver um momento de paz;

se o poeta disser que ama, mas ainda assim estiver só;

se mencionar o nome da amada, mas não encontrá-la fora do poema;

se o poeta, disser versos amorosos e lançá-los ao vento,

e não receber resposta, nem mesmo de uma ave que viesse e pousasse,

que importa?

“Todos os poemas são de amor.”


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022




Poema 2022 / 12

03 fevereiro 2022

Quero coisas para o dia de amanhã,

coisas boas para quando eu não estiver aqui, e um favor.

 

Que ainda possam existir coisas belas como palavras de crianças,

 coisas mágicas como asas de pássaros;

coisas especiais como versos de amor;

 coisas simples como gestos de amizade;

 coisas concretas como um abraço e um beijo;

 coisas especiais como versos de um poema;

 coisas inventadas como conversas entre dois meninos;

 coisas imaginadas por anjos que nos protegem e que não vejo.


sábado, 22 de janeiro de 2022

 


Poema 2022 / 5

22 janeiro 2022

Quando digo poema,

digo amor,

digo fé,

digo isto e aquilo,

digo tudo e quase nada,

digo estou aqui,

digo venha me conhecer.

 

Digo que o poema deve permanecer.

 

Quando digo poema, digo que a esperança dever continuar.

 

Digo que aprendi a colher frutos desde cedo,

digo que aprendi a buscar flores por entre pedras,

digo que aprendi a nomear coisas esquecidas.

 

Quando digo poema,

digo que preciso continuar a regar o jardim,

digo que aguardo

a luz,

a sombra,

a janela,

a fresta,

Digo que, desde manhã,

aguardo  o sinal aberto

de tua chegada.