sexta-feira, 28 de agosto de 2020


 



150 DIAS DE QUARENTENA

15 / 08 /2020

Tentei não sofrer.

Tentei me desligar,

tentei ser mais leve.

tentei andar mais devagar,

tentei deixar a culpa e o medo.

 

Tentei ser poeta,

ser mais amigo de mim mesmo,

ser mais silencia,

menos vozes e mais ouvido.

 

Tentei me reorganizar,

alcançar outros céus,

outras vozes, outra música,

outro meio para a poesia.

 

Tudo é diferente,

tudo é desigual,

tudo é negação,

tudo é desencontro,

tudo é afastamento.

 

Tudo é tão novo,

tudo é tão antigo,

como o medo

como ser triste

e ser alegre,

como saber esperar;

 e se desesperar.

 

Tentei não ser triste,

tentei   não dizer adeus a nada.

 

Tentei ser poeta,

sem pedir remissão.

 

Tudo ainda é espera.

 

Tudo ainda é para amanhã.

 

 


quinta-feira, 18 de junho de 2020




Poema 2020 /
18 / 06 /2020

FIQUE EM CASA

Fique em casa. Abra as portas e janelas.
Fique em casa. Abra o coração e os braços.
Leia um bom livro e sorria.
Escreva um diário e recite um verso.
Fique em casa. Faça mais exercícios amorosos.
Fique em casa. Faça menos promessas. Edifique palavras cálidas.
Armazene as carícias ofertadas, acolha as bem-aventuranças.
Fique em casa. Recite os versos que gostaria de ouvir.
Ouça as músicas do coração.
Fique em casa. Receba de braços abertos as boas novas.
Não tenha medo de sonhar.
Fique em casa. Sossegue o desejo de ir muito longe.
Percorra o caminho mais curto.
Fique em casa e ouça a canção que desperte a esperança.

sábado, 13 de junho de 2020








GRATIDÃO
Pelas três orquídeas do jardim,
sou grato.
Pelas frutas em suas estações,
elevo minha voz.

Pelas manhãs e suas promessas,
sinto esperança.

Pelos pássaros no jardim,
aceno à infância.

Pelo abraço das meninas,
sinto alegria.

Por ouvir a voz da amada,
ouço o coração.

Pela presença dos amigos,
sou mais forte.

Pela esperança de ser feliz,
escrevo este poema.

PS. Pela promessa de teu sorriso,
fico mais jovem.
05 Abr. 2019

terça-feira, 2 de junho de 2020




                                                              Desenho em Guache. 1985.

Poema 2020 / 6
02 / 06 /2020

Tenho ainda de, menino, este coração.
Ainda resido na infância.
Eu sorria aos pássaros
que sorriam de manhã cedo.
Eu cantava com as aves
que cantavam ainda pela tarde.
Eu caminhava nas sombras das árvores
e recebia como prêmio a comunhão.
Comunhão com Deus

Tenho ainda um coração de moço.
Ainda resido no sorriso da amada.
Eu sorria para ela sem saber que o sorriso incendiava o clarão das estrelas que habitavam em seus olhos.
Tenho ainda um coração de esperança, ainda resido nas graças da gratidão.


sexta-feira, 22 de maio de 2020





21 / 05 /2020

Mais de 60 dias de quarentena

Os dias são de espera.
Espera-se que tudo passe.

Que tudo tenha sido apenas uma estação. Um sopro.
Que tenha sido um eco na eternidade.
Uma sombra tênue na miragem.

Dias de pandemia. Dias tristes.
Uma estrita rota de dor.
Uma estrada de ruptura,
Dias de idas sem retornos.

Uma vertente de incertezas.
Passos de idas sem vinda.

Dias tristes. Dias de esperança.

quinta-feira, 21 de maio de 2020




04 Abr. 2019
SEGREDO
O que a paisagem não possui,
nas letras do poema, escondido está.

O que o som de minha voz não diz,
no verso, escondido está.

Segredos e manhas,
amor e desamor,
busca e esquecimento,
o alarido e o silêncio,
a quem pertencem?

A dor e a alegria,
encontro e despedida,
o choro e o riso,
O que me toca?

O que já disse e o que não disse,
no poema, escondido está.

Amanhã receberei como dádiva,
os segredos do silêncio.

quarta-feira, 13 de maio de 2020


Poema 2020 / 1
14 / 03 /2020

Ainda busco os exercícios da salvação.
Reflito sobre o caminho e o espanto das esquinas.
Ainda não sei o que esperar de uma flor que aparece no poema.
Decidi fincar minha palavra nos teus canteiros para encontrar ali a minha remissão.