terça-feira, 28 de agosto de 2018


POEMAS 2018


Poema 2018 / 3
Ubatuba, 18 jan. 2018
O poema em mim se repete.
O poema das coisas e suas falas.
O verso das coisas e seus limites.

As coisas em mim se repetem.
As coisas das falas e seus silêncios.
Os limites das coisas e seus reversos.

O poema que em mim se repete
é o poema das canções e seus acordes.
Os acordes das coisas e seus alfabetos.

As coisas que em mim se repetem:
o poema das coisas e suas esperas.
as coisas ditas em nossas canções.




Poema 2018 / 4
05 Abr. 2018
Quais vocativos despertam o poema?
Os dias são de espera.
As horas são o tempo da crença.
Os minutos são sonhos.
Os sonhos, sonhos são.

Quais as frases que despertam o verso?
Como despertar a poesia?
Levamos na bagagem as canções
e a duração de todas as horas.
No intervalo, entre um riso e outro,
um coração disparado diante do oráculo da manhã.

Não há vocativos, senão sonhos.
E por sonhar, a palavra se desprende,
cai como fruta madura no poema.









sexta-feira, 4 de agosto de 2017

                                         

A outra fala do poema -         Desenho meu em guache sobre papel- 1976

Como ainda procurasse
a outra margem do rio,
como ainda esperasse
a outra margem do verso,
como ainda escutasse
a outra fala do poema,
como ainda buscasse
um outro som no silêncio;
o outro tato do vento
me alcança,
o outro lado do poema,
ainda soletro,
a outra face de nossa canção
ainda solvejo,
a outra margem de tua voz,
ainda aprecio,
e os acordes de nossa
                           esperança
ainda me pertencem.

Poema 2013 / 20
18 / 09 /2013

quinta-feira, 3 de agosto de 2017




                                      Amanhã -  Desenho - guache - minha autoria

AMANHÃ

Pode ser que amanhã eu renasça mais belo.
Talvez, amanhã eu sorria com mais inocência.
Porque amanhã o dia será de prata
e meus meninos alcançarão o paraíso.

Pode ser que hoje minha virtude a seja a esperança,
e amanhã, minha remissão seja o amor.

Talvez, no poema, eu possa confessar o milagre.


E pode ser que amanhã eu sorria ao encontrar o merecido repouso.

26 junho 2017

domingo, 25 de junho de 2017


Quadro Jardim de memórias - 40 x 30cm - datado: jun. 2017


ALFORGE

Levo um poema e uma canção no alforge.

No alçapão, capturo, de um lado, 
teus enigmas, do outro teus sorrisos.

Cativo, continuo na vereda das horas.

Amoroso, levo outra canção nos lábios.

E no pensamento, um plantel de coisas       
sonhadas desde menino.

Não há aventura, senão na busca.

Shangri-lá não é um destino.

É um horizonte de muitas águas - 09 / jun / 17

domingo, 16 de abril de 2017



Poema 2017 / 2
11 ABRIL 17

SHANGRI-LÁ

Shangri-lá é um lugar muito distante.

Meu lugar seguro é aqui e ali,
onde existe uma promessa
uma palavra – um verso no
gesto temporário.

O poema é um endereço.
Neste endereço cabem,
entre outras coisas, sílabas
pronunciadas na infância.

Shangri-lá não é um destino.
É um rio de poucas águas

Resido aqui e ali,
             num gesto temporário.
Neste gesto ainda busco
The other side of the heaven.


NESTE DIA ÚNICO

Neste dia único de minha vida,
eu quero um abraço, um afago,
um aperto de mão amigo,
um sorriso meigo
como o que só o coração
possa entender.

Neste dia único de meus dias,
eu quero o despertar de palavras
antigas no poema,
o despertar de coisas sonhadas
 desde menino
e que ainda me fazem feliz.

Neste dia único de minha existência,
eu quero desfrutar da festa,
apreciar cada sorriso que recebo
como um sinal de paz. Paz!

23 JAN. 2017
Poema 2017 / 1

























sábado, 21 de janeiro de 2017





Poema 2016 / 13
06 / 12 / 16

Se em novembro despeço-me de Leonard,
em dezembro perco os passos de Gullar.

Os dias são de espelhos,
ora refletem a luz da manhã,
ora as sombras porque passo.

São os dias do muito lembrar.
São as horas do pouco sentir.

Aos poucos os heróis se vão,
como todo homem um dia alcança.

São os dias do muito lembrar.
São as horas e os minutos em que
deixo de ser criança.


Leonard Cohen – faleceu em 7 de novembro.
Ferreira Gullar – faleceu em 4 de dezembro de 2016.