quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

 


 

Poema 2023 / 41

19 / 12 / 23

 

SOMOS FEITOS DE HISTÓRIAS

 

Somos feitos de histórias e memórias.

Somos feitos de encontros e encantos.

Desde quando éramos manhãs,

sonhamos eternidades.

Só existe eternidade se o amor

for maior que nossas fábulas.

 

Ainda escrevo minha história,

e nela, uma esperança de 

ser alimentado pelos aromas da

primavera e de me lançar aos

remos e ramos do verão.

 

Escrevi este poema sentado em um 

banco situado entre duas colunas em 

um jardim, em São Paulo, às

nove horas, acariciado pela brisa e pelo 

sol da manhã – isto também é uma história.

 

 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

 

 


Poema 2023 / 35

16 / 09/ 1993

Reescrito em  07 / 12 / 23

 

POEMA TRINO

MOTIVO

Minha, a tua, a nossa memória.

Talvez, todas em uma só manhã,

um só caminho de pedras e busca.

Uma sombra da minha, da tua, da

nossa mão, nosso tato, nossos sonhos.

 

MEMÓRIA

Signo do tempo estampado na retina.

Um desfile do vento de ontem dentro

da minha, da tua, da nossa tangente.

Talvez, um porto distante, etéreo, em

água, brisa, suor, sonhos meus e teus.

 

ESCRITA

Uma pedra que não se lê a sós.

Não se caminha sem ser notado.

Um existir sangue no papel, marcas

nos dedos, nas unhas e na pele.

Um jardim imaginário de poemas

impossíveis. Um jardim junto ao rosto,

frutos do silêncio, ecos das margens

deste rio imenso chamado vida.

 

 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

 

 


 

DIÁRIO DE POETA

 06 / 11 / 23

Fui procurar nos meus cadernos

se já escrevi algum poema

em seis de novembro.

Descobri que em 2010 escrevi um belo poema, 

onde o último

parágrafo diz: “Doar a canção, aquela que 

de quando em quando te leve a ser anjo, 

que de manso chega trazendo notícias de amor.”

 

Em sete de novembro de 2012 escrevi: 

”Você na minha porta. Seu rosto na memória. 

Um poema escrito ainda na infância.

Um caminho a dois. “

 

O que poderia eu fazer hoje ou amanhã 

a não ser escrever um poema que contenha 

uma palavra que sustente este fio de poesia,

esta ligadura que me une à nossa canção.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

 

 



OUTROS POEMAS

01 / 10 / 23

 

De tanto ler escritos de outros poetas,

de tanto saborear suas palavras,

de tanto sair dos poemas

com a alma molhada por chuvas

                                    distantes;

outras vezes, com os pés sujos

de lama e folhas mortas,

como se andasse em jardins

ou bosques úmidos pelo orvalho;

digo, ao ver a página do caderno em branco:

ainda há versos para serem escritos,

palavras para serem lançadas ao vento,

frases para serem saboreadas como um fruto maduro.

Digo que ainda há acenos e gestos no horizonte,

digo que há muito a ser descoberto 

na minha inocência.

Digo que ainda há de se esperar que 

uma ave pouse suavemente na janela,

e que você chegue devagar, mansa,

tão suave, que não espante esta ave,

este presente encontrado nas linhas 

     deste e de outros poemas.