sábado, 30 de setembro de 2023

 TAREFA


 

TAREFA

30 / 09 / 23

 Memorizar os gestos simples de teus passos.

Manter sagradas as palavras ditas para continuar nossa conversa.

Cultivar um jardim de rosas sem espinhos.

Alimentar os pássaros com grãos e um sopro de esperança.

Ouvir o alarido das crianças e dar graças porque a vida é bela.

Soletrar palavras de gratidão como se fossem para um poema ou para um cântico.

Citar acontecimentos bonitos para dar continuidade ao livro da vida.

Dizer que o dia está bom para passear de mãos dadas.

Ler um poema escrito a 50 anos e sorrir porque foi dedicado a ti.

Fechar os olhos e enxergar teu rosto, o teu rosto jovem de 20 anos.

Não sofrer por aquilo que a vida nos impôs.

Abraçar a esperança como se abraça um criança ou uma árvore num dia de primavera.

Receber com alegria o canto de uma ave que se oculta na pitangueira.

Ser grato pelo sopro de vento que entra pela janela às 22h40 do dia 30 de setembro de 2023.

Entender que certos poemas nos convidam a abrir os braços e alçar voo.

 

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Urgência


 

 

Poema 2023 / 21

28 / 08 / 23

 

URGÊNCIA

 

É necessário que haja urgência.

Urgência no amor.

Urgência no trato,

na busca,

no afeto,

Nos encontros.

Um dia passa rápido.

O dia tem sua duração,

a noite o seu silêncio.

É preciso apreciar,

apreciar a vida.

Buscar a alegria.

Reforçar a esperança.

 

É necessário urgência.

Urgência no poema,

nos versos,

na fala,

nos intervalos

e no silêncio,

porque a duração

do dia,

de-repente, acaba.

 
 

 

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

 POEMA 


Poema 2023 / 19

23 / 08 / 23


Na esperança de escrever

um poema, abro o caderno.

Procuro a caneta.

Paira um silêncio.

Uma ausência.

Uma falta de assunto.

 

O poema é mesmo assim.

Vem quando quer.

De-repente bate à porta.

Para ele, abro as janelas.

Abro as cortinas.

Abro as asas.

 

De-repente, o ruído das palavras no papel.

As marcas das sílabas.

Os desenhos das vogais.

As sombras das consoantes.

Os desejos dos verbos se fazem presentes,

mesclando o que é da busca

do poeta

e o que vem por capricho

do acaso.