terça-feira, 29 de agosto de 2023

Urgência


 

 

Poema 2023 / 21

28 / 08 / 23

 

URGÊNCIA

 

É necessário que haja urgência.

Urgência no amor.

Urgência no trato,

na busca,

no afeto,

Nos encontros.

Um dia passa rápido.

O dia tem sua duração,

a noite o seu silêncio.

É preciso apreciar,

apreciar a vida.

Buscar a alegria.

Reforçar a esperança.

 

É necessário urgência.

Urgência no poema,

nos versos,

na fala,

nos intervalos

e no silêncio,

porque a duração

do dia,

de-repente, acaba.

 
 

 

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

 POEMA 


Poema 2023 / 19

23 / 08 / 23


Na esperança de escrever

um poema, abro o caderno.

Procuro a caneta.

Paira um silêncio.

Uma ausência.

Uma falta de assunto.

 

O poema é mesmo assim.

Vem quando quer.

De-repente bate à porta.

Para ele, abro as janelas.

Abro as cortinas.

Abro as asas.

 

De-repente, o ruído das palavras no papel.

As marcas das sílabas.

Os desenhos das vogais.

As sombras das consoantes.

Os desejos dos verbos se fazem presentes,

mesclando o que é da busca

do poeta

e o que vem por capricho

do acaso.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

 TALVEZ

 


TALVEZ

02/09/1993

Talvez. Talvez

no caminho eu te perca,

no silêncio

dos casulos eu te deixe,

no musgo

dos peixes eu te demova.

 

Talvez. Talvez

no cheiro do luar eu te olvide,

no murmúrio

das pedras eu te reinvente,

na sombra

das flores eu te busque.

 

Talvez. Talvez

na rota das aves eu te siga,

na imagem

do espelho eu te observe,

pássaro,

borboleta, um anjo,

talvez. Talvez.

 

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

 INVENTÁRIO

 


 

INVENTÁRIO

11 / 12. / 2007

Às vezes, fazer um inventário.

 

Às vezes, cultivo flores que ninguém vê,

manuscritos que ninguém lê!

 

“ Possuo um arco–íris. È um local onde

fazer poema é meu brinquedo.” 25/9/2000

 

Uma colheita do silêncio da memória.

Nela, adivinhar a meiguice de teu sorriso,

sentir os adjetivos com os mesmos

                              olhos que te espreito.

 

Às vezes, um mantimento de imagens de teu rosto,

uma clareira de murmúrios de nossa infância de anjos.

 

Outras vezes, sonetos d’água na primavera,

sonata e permeio de coisas da alma de menino.

 

Ás vezes, o desvario de poetizar

os pertences do silêncio!