terça-feira, 15 de agosto de 2023

 TALVEZ

 


TALVEZ

02/09/1993

Talvez. Talvez

no caminho eu te perca,

no silêncio

dos casulos eu te deixe,

no musgo

dos peixes eu te demova.

 

Talvez. Talvez

no cheiro do luar eu te olvide,

no murmúrio

das pedras eu te reinvente,

na sombra

das flores eu te busque.

 

Talvez. Talvez

na rota das aves eu te siga,

na imagem

do espelho eu te observe,

pássaro,

borboleta, um anjo,

talvez. Talvez.

 

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

 INVENTÁRIO

 


 

INVENTÁRIO

11 / 12. / 2007

Às vezes, fazer um inventário.

 

Às vezes, cultivo flores que ninguém vê,

manuscritos que ninguém lê!

 

“ Possuo um arco–íris. È um local onde

fazer poema é meu brinquedo.” 25/9/2000

 

Uma colheita do silêncio da memória.

Nela, adivinhar a meiguice de teu sorriso,

sentir os adjetivos com os mesmos

                              olhos que te espreito.

 

Às vezes, um mantimento de imagens de teu rosto,

uma clareira de murmúrios de nossa infância de anjos.

 

Outras vezes, sonetos d’água na primavera,

sonata e permeio de coisas da alma de menino.

 

Ás vezes, o desvario de poetizar

os pertences do silêncio!

 

sábado, 5 de agosto de 2023

 
Procuro
 
 

23 / 03 / 23

Procuro 

algumas palavras para dizer

que preciso de mais poesia.

 

Procuro um olhar para contemplar

estrelas,

um tempo para pensar coisas boas,

um instante para aquecer a alma,

um poema para receber, nele, flores

no papel,

um verso para ouvir uma canção,

 

Busco

 a palavra certa para dizer que

 a viagem vale a pena,

um dia para alcançar horizontes,

um minuto para esquecer as coisas

tristes,

um silêncio para ouvir o que a poesia fala,

uma voz para encontrar, nela, a resposta.

Busco um encontro para ser feliz,

um sorriso, um abraço.

 

 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

 

 

VENHA O POEMA CERTEIRO

29 / 01 / 23

Venha o poema certeiro

mesmo quando ainda de olhos fechados

vejo a luz por entre folhas e frutos

e ouço o canto de uma ave qualquer

 

Venha o verso certeiro

mesmo quando ainda de boca fechada

cito palavras bonitas por entre os silêncios

e ouço a voz da amada; dela, a minha mulher

 

Venha a palavra certeira

mesmo quando ainda nas primeiras sílabas

o poema já nasce e se apresenta

como uma confissão, uma oração,

uma redenção que a alma requer.

O que ainda não escrevi, em mim, reclama.

 

O que fiz e o que não fiz me desvela.

O som que ainda não ouvi me chama.

No poema, a palavra que ainda não chegou é bela.

A palavra que ainda não disse me revela.