quinta-feira, 15 de setembro de 2022

 


 

15 / 09 /  2022

LIÇÃO SOBRE POESIA I

 Alguém disse que certas palavras

servem para poesia.

Servem para escrever versos,

servem para frases bonitas no papel.

Palavras possuem peso e magia.

Possuem o peso de uma nuvem num céu anverso.

 

Quem há de saber este milagre?

Quem há de festejar as notícias do poema?

 

Quem abrirá o livro e dirá:

- Bendito o que nos envia este bálsamo!

 

- Bendito o que nos convida a apreciar

as miudezas , as coisas singelas,

com o mesmo peso com que

apreciamos as estrelas!

 

Bendito o homem que sonha,

Bendito o homem que acredita,

o que escreve, o que lê e o poeta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

 

ENTREMEIOS

 

Existe uma distância entre

o músculo e o coração, entre a memória e a dor.

Existe uma miséria entre

a vida e a paixão, entre lembranças e o amor.

 

Existe uma dúvida entre

a palavra e o silêncio, entre a lua e a canção.

Existe um tropeço entre

o encanto e o dissabor, entre a fábula e a razão.

 

Existe um desfeito entre

a esperança e o temor, entre o homem só e a multidão,

Existe um desvio entre

o vento, a nuvem e o chão, entre ser poeta e ser razão.

 

Existe um dilema entre

a palavra e o refrão, entre o poema e o feijão.

Existe um silêncio entre

o verso e a canção, entre saudade e a solidão.

 

02 / 9 / 1993


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

 



LIÇÃO DE SETEMBRO

15 / 9 / 1989

Em tardes tão azuis, antes de setembro,

as árvores, a maioria parecem tristes,

tão nuas, sem folhas, todas na solidão.

São as paisagens de agosto que me lembro.

 

Mas ao entrar a primavera, que alegria!

Quanta vida, folhas novas em rebentação.

A vida renasce nas árvores em floração,

compensando os dias e meses de nostalgia.

 

Não deveríamos nós, também sermos assim,

nos momentos de amargura e tristeza

termos uma lembrança da flor do jasmim

e da rosa em botão, da vida e da beleza.

 

Poderíamos ser uma eterna lembrança

que depois de uma noite tenebrosa e sombria,

surge o despertar de mais um claro dia,

e que depois da tempestade vem a bonança.


terça-feira, 12 de julho de 2022

 


 

“O espanto de viver

é ir vivendo.” Carlos Nejar


 

O espanto de escrever é descobrir a escrita. Escrevo porque vivo.

 

A alma do verso está na caligrafia e seu armazém de esperança.

Vivo porque escrevo

 

A alegria do poeta está na cifra oculta de sua canção. Canto porque existo.

 

O alcance do verbo perpetuar está no suprimento de vozes entre as palavras. Perpetuo tua voz.

 

A clareira aberta no poema está na linguagem das coisas ainda sonhadas. Sonho porque vivo.

 

Invento um encontro de coisas que nascem na palavra perpetuar

 

O espanto de viver é a esperança, o início de uma nova primavera.

 Poema 2022 / 25

11 de julho de 2022


quarta-feira, 22 de junho de 2022

 



Poema 2022 / 22

21 de junho de 2022

 

Nos vestígios da memória,

nos encontros do poema,

saudar

o desejo de prosseguir;

acenar

às vozes da mocidade;

fincar

os pés nesta curta estrada;

partir

a fruta ao meio e deliciá-la;

remoçar

ao ouvir  voz da amada;

recordar

o som do alarido de crianças;

pedir

remissão pelos dias de trovão

e dizer

palavras mansas neste diário

e em outras canções,

outra vez, outra vez;

outra vez e sempre.


sexta-feira, 3 de junho de 2022


 


Poema 2022 / 18

03 de junho de 2022

Tenho em mim

Tenho em mim todos os poemas que ainda não escrevi.

Tenho em mim que o melhor dia para o poema é quando

a palavra me sorri;

e que o melhor dia no jardim é o amanhã.

Tenho em mim todas as canções que me fizeram feliz.

Tenho em mim que o melhor dia para olhar estrelas é quando

o céu me sorri.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

 


Notícias de Ucrânia

06 de Março de 2022

Entre as últimas notícias de Ucrânia: bomba explode e mata mãe e duas crianças.

- Mãe, onde estamos?

- Como chegamos aqui tão rápido?

-Quando papai estará conosco?

São as perguntas dos anjos ao chegarem ao céu.

 

Aqui, o coração dilacerado,

a mente  confusa,

por não compreender a guerra.

Olhos em lágrimas,

mão frias, buscando outras mãos.

 

Lá, o corpo treme,

há fome na fuga,

há sede,

está frio,

não há espaço,

não há caminho,

senão o coração dilacerado.

- uma mãe e duas crianças chegam ao céu.

 

Ucrânia chora seus mortos!