terça-feira, 30 de março de 2021

 



Poema 2021 / 1

09 / 02 / 21

Ainda estou aqui.

Ocupo meu lugar

no presente

Cada dia é um milagre,

um caminho de acordes,

recordes

de dias antigos,

de dias futuros,

de palavras e acenos

de outrora;

de coragem,

de reflexos

do ontem

e do amanhã.

Uma razão para viver.

Amar, porque

ainda estou aqui,

mesmo em dias tristes,

em dias de poeta,

em dias de remissão,

em dias de busca,

encontro uma semente,

uma semente única.

Sonho horizontes

sem voar.

Enquanto nada

acontece,

tudo acontece.


sábado, 20 de março de 2021

 



SE DESEJASSE

 Se desejasse uma manhã

onde a brisa brincasse

com a pele,

iria para abril.

 

Se desejasse uma tarde

onde o céu fosse todo azul,

viria para agosto.

 

Se desejasse uma noite

onde pudesse abraçar

as estrelas,

 iria para junho.

 

Se desejasse um novo dia

onde pudesse reencontrar

nossa canção

voaria para setembro,

onde os barulhos das aves

se misturam aos adjetivos

da esperança.

28 / 8 / 16

 


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 




Poema 2020 /9

26 / 10 /2020

 

TABATINGA-

 

Celeste e eu a sós na casa.

Uma tarde de vento fresco.

Falta ânimo para ir à praia.

Pássaros fazem seus barulhos na vizinhança.

O dia é de descanso – de espera.

Espera do ânimo

– Espera de coragem.

Um tempo para reflexão

– Pensar pouco.

Melhor não pensar em nada.

Pensar é perigoso

– Nada é urgente.

 

Busco coisas antigas em cadernos antigos.

Encontro.

- coisas de poeta.

 



Poema 2020 / 13

03 / 12 /2020

 

Celeste animada, pinta a parede: é dezembro.

 

A cor é gelo, para uma sala clara.

 

No jornal espalhado no chão, Entre pingos de tinta, leio:

“Quando penso em levantar a taça, fico arrepiado.”

 

Na minha mente, leio:

“Quando penso em escrever o meu melhor poema, fico arrepiado.”

 

O dia é de descoberta.

Encontro o nome da poeta C. D. Wright.

Leio um poema seu

Levo um coice no peito com suas palavras.

 

Depois, me levanto, crio asas e me torno invisível.


* Carolyn D. Wright (January 6, 1949 – January 12, 2016)


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

 



Poema 2010 / 22

06 / 11 / 2010

 

Bem-aventurado

o que de manso

chega trazendo

notícias de amor.

 

Notícias,

Na manhã em

que a palavra

poema gera

um verbo suave

na boca do moço,

no ouvido da amada,

nas sombras das aves,

nos ventos entre as folhas,

no alarido das crianças,

nas imagens vistas

pelos amantes.

Bem-aventurado

O que, de-repente,

chega trazendo

nomes antigos,

 a nossa pátria

de versos na língua,

uma bagagem de fé,

um riso sem alarde,

um abraço meigo,

um olhar como de

menino, uma luz.

 

Bem-aventurado

o que nos envia

um poema, uma voz,

um alarido de canções, ]

um ressoar espantos,

um espelho onde miramos

o milagre; um pátio sereno

de coisas que esquecemos

de buscar; e ao encontrar,

dizemos:

bendito o

                 nome de Deus!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021


 

Poema 2010 / 11

30 / jun. / 2010

 

Parece ser um poema,

algumas palavras.

Não uma flor no papel.

Também não é a escrita,

nem a memória de teus lábios,

nem a candura da voz materna;

mas uma palavra qualquer.

São sílabas simples, um nome,

São vogais em transe,

um tremor na pele,

um aceno da infância.

 

Parece ser um verso antigo,

a coisa como parece ser,

do jeito que é e não é,

e que diz que foi e será,

mesmo, o hálito da esperança,

o toque na pele nua,

o som do vento no campo,

a leveza do ser, o pássaro,

o amor, você e eu,

e esta canção. Nossa canção!


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

 



Poema 2020 / 12

17 / 12 /2020

Uma vez eu vi um poema,

estava acima das árvores,

pairava sobre as águas:

Era um pássaro.

 

Outra vez, num momento

de magia, eu vi a poesia:

você me sorriu.

era um sinal de paz,

um símbolo de amor.

 

Outrora, em certos momentos,

apreendi frases poéticas

quando minhas meninas

acenavam gestos de inocência.

 

Aprendi que a poesia

é quando você aparece na janela

como uma ave inesperada.

 

Em certas manhãs,

tornei-me aprendiz

de guardador de imagens

de água corrente por entre os fios da memória.