sábado, 13 de junho de 2020








GRATIDÃO
Pelas três orquídeas do jardim,
sou grato.
Pelas frutas em suas estações,
elevo minha voz.

Pelas manhãs e suas promessas,
sinto esperança.

Pelos pássaros no jardim,
aceno à infância.

Pelo abraço das meninas,
sinto alegria.

Por ouvir a voz da amada,
ouço o coração.

Pela presença dos amigos,
sou mais forte.

Pela esperança de ser feliz,
escrevo este poema.

PS. Pela promessa de teu sorriso,
fico mais jovem.
05 Abr. 2019

terça-feira, 2 de junho de 2020




                                                              Desenho em Guache. 1985.

Poema 2020 / 6
02 / 06 /2020

Tenho ainda de, menino, este coração.
Ainda resido na infância.
Eu sorria aos pássaros
que sorriam de manhã cedo.
Eu cantava com as aves
que cantavam ainda pela tarde.
Eu caminhava nas sombras das árvores
e recebia como prêmio a comunhão.
Comunhão com Deus

Tenho ainda um coração de moço.
Ainda resido no sorriso da amada.
Eu sorria para ela sem saber que o sorriso incendiava o clarão das estrelas que habitavam em seus olhos.
Tenho ainda um coração de esperança, ainda resido nas graças da gratidão.


sexta-feira, 22 de maio de 2020





21 / 05 /2020

Mais de 60 dias de quarentena

Os dias são de espera.
Espera-se que tudo passe.

Que tudo tenha sido apenas uma estação. Um sopro.
Que tenha sido um eco na eternidade.
Uma sombra tênue na miragem.

Dias de pandemia. Dias tristes.
Uma estrita rota de dor.
Uma estrada de ruptura,
Dias de idas sem retornos.

Uma vertente de incertezas.
Passos de idas sem vinda.

Dias tristes. Dias de esperança.

quinta-feira, 21 de maio de 2020




04 Abr. 2019
SEGREDO
O que a paisagem não possui,
nas letras do poema, escondido está.

O que o som de minha voz não diz,
no verso, escondido está.

Segredos e manhas,
amor e desamor,
busca e esquecimento,
o alarido e o silêncio,
a quem pertencem?

A dor e a alegria,
encontro e despedida,
o choro e o riso,
O que me toca?

O que já disse e o que não disse,
no poema, escondido está.

Amanhã receberei como dádiva,
os segredos do silêncio.

quarta-feira, 13 de maio de 2020


Poema 2020 / 1
14 / 03 /2020

Ainda busco os exercícios da salvação.
Reflito sobre o caminho e o espanto das esquinas.
Ainda não sei o que esperar de uma flor que aparece no poema.
Decidi fincar minha palavra nos teus canteiros para encontrar ali a minha remissão.



Poema 2020 / 3
23 / 03 /2020

Tarde de Março.
Oito tardes de isolamento

Sombras no jardim.
Uma paz no vento suave.
Num canto, o sol trespassa folhas verdes da taioba.
Nos vasos, plantas aguardam o toque da luz.
Vez por outra, um passarinho chega, canta, salta nos galhos, serve-se de pitangas e sai sem se despedir.
Mais tarde, uma curruira faz estação no muro do jardim. Não se cala. Faz festa e não convida ninguém.



  
Poema 2020 / 4
26 / 03 /2020

Onze dias de isolamento.
Tarde de outono.

Nestes dias reaprendo a brincar.
Busco coisas escondidas.
Coisas que esqueci que existem.

O sonho de menino ainda é meu primeiro paraíso.
Nele ainda é possível iniciar um dia perfeito.

Já dizia o poeta: “ hoje é um bom dia para começar novos desafios.” 
Eu digo: hoje é um bom dia para iniciar novos alaridos de esperança.

* Carlos Drumond de Andrade

quinta-feira, 26 de março de 2020


                                                               Desenho feito por mim.
                                               
Poema 2013 / 13
18 / 06 /2013

CONFISSÃO

No poema,
quando digo você,
você não tem nome,
não tem endereço
e nem sobrenome.

Quando digo você,
você é um verso
de minha canção,
são sílabas inventadas.

Você é um pretexto,
uma invenção,
uma saudade,
um desejo na alma,
 um pensamento constante,
uma alegria que dói,
uma memória,
uma lembrança,
uma perda,
uma distância,
um sonho,
um rosto, uma sombra
na paisagem,
um ponto,
uma vírgula,
um vocativo
na estação de
meus inventos
mais queridos.
Ainda a menina
dos meus olhos.