quarta-feira, 26 de junho de 2019


Poema 2019 / 5
24 Jun. 2019
Alguém já disse:
 a madrugada é o berço da manhã;
 a flor é a infância do fruto;
 hoje é a semente do amanhã.

Repito: hoje, o clima está bom para amanhecer flores.

Alguém já disse:
 a poesia não mata minha fome;
 o poema não sacia minha sede de homem;

Eu digo: a poesia é meu caminho que conduz ao céu.
Repito: A poesia é a infância do anjo que em mim habita.

O agora é um espanto no fino fio da origem dos canteiros.
O poema é um canteiro onde se origina múltiplos espantos.
Eu vi meu mundo de novo em suas asas.

segunda-feira, 20 de maio de 2019


Poema 2019 / 2
05 Abr. 2019

GRATIDÃO

Pelas três orquídeas do jardim,
sou grato.
Pelas frutas em suas estações,
elevo minha voz.

Pelas manhãs e suas promessas,
sinto esperança.

Pelos pássaros no jardim,
aceno à infância.

Pelo abraço das meninas,
sinto alegria.

Por ouvir a voz da amada,
ouço o coração.

Pela presença dos amigos,
sou mais forte.

Pela esperança de ser feliz,
escrevo este poema.

PS. Pela promessa de teu sorriso,
fico mais jovem.


Poema 2019 / 1
11 jan. 2019

RESPOSTA

O que me diz a flor que morre
por falta de chuva e de canção?

O que me ensina a rota
das aves
que chegam na primavera e no verão?

O que me traz a sombra das asas
do vento
que ronda a manhã e a tarde?

O que me ensina a mensagem
das nuvens
Que chegam trazendo reboliço e alarde?

- Tudo é poesia; tudo é espaço;
Tudo é amor; tudo é ausência;
Tudo é em vão; tudo é corpo;
                           Tudo é regaço.

Fica a certeza do fruto;
fica o gosto da maçã;
fica a escrita do dia;
fica a incerteza do amanhã.

terça-feira, 25 de setembro de 2018




Poema 2018 / 6

05 Set. 2018

O que me falta é um poema,
um  poema mesmo que seja breve;
mesmo que seja uma lembrança;
um sopro de amor;
um resgate;
uma invenção,
um dia, um minuto;
um instante de alegria;
uma declaração;
uma confissão;
um silêncio,
ou um grito;
um verso no espaço;
uma luz;
uma sombra;
um beijo;
um abraço.
Saudade, mesmo que seja dor.
O poema da alma;
um gesto de amor.

domingo, 23 de setembro de 2018


Poema 2018 / 8
13 Set. 2018
Feeling Mortal

Amanhã posso não estar aqui.
Um raio pode me acertar
enquanto aprecio a paisagem.
Um galho pode cair sobre mim
Enquanto aprecio as aves.

Um tiro pode me atingir
enquanto sorrio às crianças.
O coração pode falhar
enquanto escrevo um poema.

Um cachorro ou outro animal
pode me atacar
enquanto caminho no campo.

Posso ter perda de memória
e não saber como voltar para casa.
Posso me perder na beira do rio.
Posso não encontrar o caminho
na cidade grande.

Mil coisas podem acontecer
Tudo pode falhar num instante inesperado.

Por isto, meu amigo, continuo
espalhando boas sementes;
escrevendo um poema aqui, outro ali.
Por isto, levo comigo a gratidão.

terça-feira, 28 de agosto de 2018


POEMAS 2018


Poema 2018 / 3
Ubatuba, 18 jan. 2018
O poema em mim se repete.
O poema das coisas e suas falas.
O verso das coisas e seus limites.

As coisas em mim se repetem.
As coisas das falas e seus silêncios.
Os limites das coisas e seus reversos.

O poema que em mim se repete
é o poema das canções e seus acordes.
Os acordes das coisas e seus alfabetos.

As coisas que em mim se repetem:
o poema das coisas e suas esperas.
as coisas ditas em nossas canções.




Poema 2018 / 4
05 Abr. 2018
Quais vocativos despertam o poema?
Os dias são de espera.
As horas são o tempo da crença.
Os minutos são sonhos.
Os sonhos, sonhos são.

Quais as frases que despertam o verso?
Como despertar a poesia?
Levamos na bagagem as canções
e a duração de todas as horas.
No intervalo, entre um riso e outro,
um coração disparado diante do oráculo da manhã.

Não há vocativos, senão sonhos.
E por sonhar, a palavra se desprende,
cai como fruta madura no poema.









sexta-feira, 4 de agosto de 2017

                                         

A outra fala do poema -         Desenho meu em guache sobre papel- 1976

Como ainda procurasse
a outra margem do rio,
como ainda esperasse
a outra margem do verso,
como ainda escutasse
a outra fala do poema,
como ainda buscasse
um outro som no silêncio;
o outro tato do vento
me alcança,
o outro lado do poema,
ainda soletro,
a outra face de nossa canção
ainda solvejo,
a outra margem de tua voz,
ainda aprecio,
e os acordes de nossa
                           esperança
ainda me pertencem.

Poema 2013 / 20
18 / 09 /2013