domingo, 13 de dezembro de 2015


POÉTICA
 
                                                      Colagem em, papel A4. Ano 2000

                                                                                               POÉTICA

Vento na janela,
silêncio na tarde,
e mimos no jardim.

Avencas no muro,
espaço com flores,
e teu sorriso para mim.

Notícia de amor,
retrato na parede
e cheiro de jasmim.

Brilho na alma,
palavras de poeta
e folhas de alecrim.

Alguém na porta,
brilho nos olhos
e notícias para mim.

Folhas de agosto,
chuvas de setembro
e um outubro sem fim.

Olhos de menino,
coração de poeta
Novembro é mesmo assim.



José Benedito Maciel – 23 nov. 2002

sábado, 5 de dezembro de 2015


 Composição com círculos II - Papel A4 - colagem e desenho

POETA

21 / 5 / 93

O poeta se alimenta de brisas.
Raios de sol são seus vestidos.
De verde e de azul são suas mãos.

Seus passos conduzem sonhos,
seus olhos são pássaros livres,
borboletas pousam em suas orelhas;
No seu nariz, nasce um ramo de jasmim.

De sua testa floresce uma rosa,
De seu corpo emana mel e horizontes.
De seu peito vertem rios de águas tranquilas.


Mas seu coração,
Seu coração é uma eterna dor.

domingo, 22 de novembro de 2015



MENINO -                    Desenho de 1976 - caneta sobre papel A4.

MENINO

Ainda não descobri o segredo das estrelas
e não consigo ver o resultado das coisas simples,
nem o significado de toda beleza.

Estou vivo.

Sou aprendiz de cada manhã. 
Busco a decifração por palavras e esperança
e minhas descobertas completam o meu dia.

Sonho toda noite.
Ainda estou vivo.

Busco a equação do amor e meu Deus é cheio de bondade. 
Capturo outros segredos na palma do vento
 e minha explicação é que faço de cada poema minha pátria.  

Continuo vivo

ainda como um menino.   19 / 11 / 2015

domingo, 8 de novembro de 2015



Poema Paisagem.

                                                  Colagem - ano 2000 - Folha A4.
PAISAGEM

Uma canção no corpo,
Um assobio na alma,
Uma palavra nos lábios,
Um poema em cada mão;
Nos pés um ramo de esperança.

Um verso voltado para as montanhas.
Um rosto voltado para a lua.
Os olhos voltados para os pássaros.

O corpo recebe uma brisa como um presente.

Agradeço às coisas pequenas, por me ensinarem humildade.
Agradeço às sombras e cinzas, por me ensinarem que tudo tem um fim.

Imagino as notas de nossa canção e vejo você em cada paisagem sonhada desde a infância.

O tempo avança. Já não há corpos. São barcos movidos por esperança e gratidão.


A gratidão é um amor não esquecido.  24 / 09 / 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

                                         Colagem - folha A4 - ano: 2000


Poema 2015 / 23

12 / 09 / 2015.

ACALENTO

Estou em busca de um acalanto.
Me perco no novelo das horas,
no apelo do corpo que pede alforria.

Espero que o canto destas aves
não desperte nem as lembranças,
nem o gesto, nem a noite, 
nem o recinto deste templo de salvação.

Estou em busca de uma melodia,
de um verso que me liberte.
Estou escasso de sorriso.
Hoje careço de adjetivos.

Minha carência é por não saber,
por ter esquecido, a  linguagem
da inocência.

O silêncio é uma resposta!

domingo, 9 de agosto de 2015

Pai e filho - Desenho sobre papel. Tamanho A4. Ano 2000.

MEMÓRIA

29 dez. 2007

Parecia tão fácil ser feliz.

Meu pai me dizia:
- Olha as estrelas como são lindas,
- Venha ver os ovos de passarinhos,
- Vamos caçar algumas aves, eu e você,
- Amanhã colheremos girassol e algodão.

Minha mãe continuava o paraíso:
- Eu gosto mesmo é de chá de hortelã,
-  Vamos fazer bolo de fubá com camomila,
- Vamos assar pão no forno de barro,
- No domingo, vamos na casa da vó.

Tudo era tão simples.

Tudo tinha um endereço:
A alegria de ser feliz.

Uma vez, comemos mamão maduro,
Eu e meu irmão, trepados no mamoeiro.

Morávamos na roça.
Um dia, meu pai disse: -Vamos para a cidade.
- As crianças precisam estudar.

Foi assim que comecei as minhas lições de poeta, aos doze anos.