domingo, 22 de novembro de 2015



MENINO -                    Desenho de 1976 - caneta sobre papel A4.

MENINO

Ainda não descobri o segredo das estrelas
e não consigo ver o resultado das coisas simples,
nem o significado de toda beleza.

Estou vivo.

Sou aprendiz de cada manhã. 
Busco a decifração por palavras e esperança
e minhas descobertas completam o meu dia.

Sonho toda noite.
Ainda estou vivo.

Busco a equação do amor e meu Deus é cheio de bondade. 
Capturo outros segredos na palma do vento
 e minha explicação é que faço de cada poema minha pátria.  

Continuo vivo

ainda como um menino.   19 / 11 / 2015

domingo, 8 de novembro de 2015



Poema Paisagem.

                                                  Colagem - ano 2000 - Folha A4.
PAISAGEM

Uma canção no corpo,
Um assobio na alma,
Uma palavra nos lábios,
Um poema em cada mão;
Nos pés um ramo de esperança.

Um verso voltado para as montanhas.
Um rosto voltado para a lua.
Os olhos voltados para os pássaros.

O corpo recebe uma brisa como um presente.

Agradeço às coisas pequenas, por me ensinarem humildade.
Agradeço às sombras e cinzas, por me ensinarem que tudo tem um fim.

Imagino as notas de nossa canção e vejo você em cada paisagem sonhada desde a infância.

O tempo avança. Já não há corpos. São barcos movidos por esperança e gratidão.


A gratidão é um amor não esquecido.  24 / 09 / 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

                                         Colagem - folha A4 - ano: 2000


Poema 2015 / 23

12 / 09 / 2015.

ACALENTO

Estou em busca de um acalanto.
Me perco no novelo das horas,
no apelo do corpo que pede alforria.

Espero que o canto destas aves
não desperte nem as lembranças,
nem o gesto, nem a noite, 
nem o recinto deste templo de salvação.

Estou em busca de uma melodia,
de um verso que me liberte.
Estou escasso de sorriso.
Hoje careço de adjetivos.

Minha carência é por não saber,
por ter esquecido, a  linguagem
da inocência.

O silêncio é uma resposta!

domingo, 9 de agosto de 2015

Pai e filho - Desenho sobre papel. Tamanho A4. Ano 2000.

MEMÓRIA

29 dez. 2007

Parecia tão fácil ser feliz.

Meu pai me dizia:
- Olha as estrelas como são lindas,
- Venha ver os ovos de passarinhos,
- Vamos caçar algumas aves, eu e você,
- Amanhã colheremos girassol e algodão.

Minha mãe continuava o paraíso:
- Eu gosto mesmo é de chá de hortelã,
-  Vamos fazer bolo de fubá com camomila,
- Vamos assar pão no forno de barro,
- No domingo, vamos na casa da vó.

Tudo era tão simples.

Tudo tinha um endereço:
A alegria de ser feliz.

Uma vez, comemos mamão maduro,
Eu e meu irmão, trepados no mamoeiro.

Morávamos na roça.
Um dia, meu pai disse: -Vamos para a cidade.
- As crianças precisam estudar.

Foi assim que comecei as minhas lições de poeta, aos doze anos.

domingo, 26 de julho de 2015


PERMEIO

Entre a fábula e a verdade,
pernoitar entre colunas.

Entre tombos e açoites,
ouvir quem  me chama.

Entre o silêncio e o fôlego,
sorver a aragem do fogo.

Entre o coração e a esperança,
tatear um mar de sementes.

Entre caminhos e descaminhos,
herdar a força para vencer.

Entre a palavra e o silêncio,
dispor desta metáfora de pátria
denominada tangência da alma.


26 / 7 / 1994


LEITURA
                                       Desenho meu de 1978 - sobre papel - caneta esferográfica.

LEITURA

Teus olhos transitam pelos

vocábulos.

Diante de tua face, o poema
te faculta sonhar.

Sendas de tua fauna secreta
te saúdam

Há uma aragem soprando teu rosto
como a um cata-vento.

Teus olhos, de repente, submergem
nos tatos das palavras.

No instante seguinte,
asas brotam de teus ombros

E renasces andorinha
sobrevoando sílabas de fogo.



16 / 8 / 1994