sábado, 12 de setembro de 2015

                                         Colagem - folha A4 - ano: 2000


Poema 2015 / 23

12 / 09 / 2015.

ACALENTO

Estou em busca de um acalanto.
Me perco no novelo das horas,
no apelo do corpo que pede alforria.

Espero que o canto destas aves
não desperte nem as lembranças,
nem o gesto, nem a noite, 
nem o recinto deste templo de salvação.

Estou em busca de uma melodia,
de um verso que me liberte.
Estou escasso de sorriso.
Hoje careço de adjetivos.

Minha carência é por não saber,
por ter esquecido, a  linguagem
da inocência.

O silêncio é uma resposta!

domingo, 9 de agosto de 2015

Pai e filho - Desenho sobre papel. Tamanho A4. Ano 2000.

MEMÓRIA

29 dez. 2007

Parecia tão fácil ser feliz.

Meu pai me dizia:
- Olha as estrelas como são lindas,
- Venha ver os ovos de passarinhos,
- Vamos caçar algumas aves, eu e você,
- Amanhã colheremos girassol e algodão.

Minha mãe continuava o paraíso:
- Eu gosto mesmo é de chá de hortelã,
-  Vamos fazer bolo de fubá com camomila,
- Vamos assar pão no forno de barro,
- No domingo, vamos na casa da vó.

Tudo era tão simples.

Tudo tinha um endereço:
A alegria de ser feliz.

Uma vez, comemos mamão maduro,
Eu e meu irmão, trepados no mamoeiro.

Morávamos na roça.
Um dia, meu pai disse: -Vamos para a cidade.
- As crianças precisam estudar.

Foi assim que comecei as minhas lições de poeta, aos doze anos.

domingo, 26 de julho de 2015


PERMEIO

Entre a fábula e a verdade,
pernoitar entre colunas.

Entre tombos e açoites,
ouvir quem  me chama.

Entre o silêncio e o fôlego,
sorver a aragem do fogo.

Entre o coração e a esperança,
tatear um mar de sementes.

Entre caminhos e descaminhos,
herdar a força para vencer.

Entre a palavra e o silêncio,
dispor desta metáfora de pátria
denominada tangência da alma.


26 / 7 / 1994


LEITURA
                                       Desenho meu de 1978 - sobre papel - caneta esferográfica.

LEITURA

Teus olhos transitam pelos

vocábulos.

Diante de tua face, o poema
te faculta sonhar.

Sendas de tua fauna secreta
te saúdam

Há uma aragem soprando teu rosto
como a um cata-vento.

Teus olhos, de repente, submergem
nos tatos das palavras.

No instante seguinte,
asas brotam de teus ombros

E renasces andorinha
sobrevoando sílabas de fogo.



16 / 8 / 1994

domingo, 5 de julho de 2015

Estado de graça

                                                      Colagem sobre papel - ano 2000

Estado de graça

23 / 6 / 2015.

Reconheço que
em estado de poesia,
uma parte de mim
alcança a outra margem de
nossa canção.

Neste estado,
os versos dançam
de um polo a outro,
alcançam as esquinas
do poema.

Neste estado,
a alma pertence
ao tempo e à graça de
uma viagem a dois.

Reconheço que
no apreço pela memória,
uma parte do dia é para ser feliz,
um poema na palma das horas esquecidas.

Neste estado,
existe um endereço retido
na lembrança, nos adjetivos de
nossa canção.

Neste endereço,
uma paisagem surge, pintada

com o melhor de nossas alegrias.

domingo, 28 de junho de 2015

Preciso escrever minha melhor canção.
                                            Vendo o mar - guache sobre papelão. ano 1971

Poema 2015 / 17

Preciso

22 / 6 / 2015.

Preciso escrever minha melhor canção.
Preciso ler meu melhor poema.
Rever nossas melhores fotos.
Preciso reinventar os dias de nossas alegrias.
Caminhar como quem busca o paraíso.
Preciso beijar teu rosto todos os dias 
para não esquecer nossas melhores estações
Preciso dizer que amo e preciso amar de verdade.
Preciso doar tudo para receber tudo, 
antes que venha o dia do silêncio final 
quando tudo já terá sido doado e nada terá sido em vão